Não à educação formal

A temática da desescolarização, essencial para as discussões não só sobre educação, mas também sobre liberdade, formação individual e valores sociais, ganha um precioso espectro pessoal e subjetivo quando ilustrado pela história de Déborah e seu filho Cauê “Batata”, no mini doc Contra a Maré (2017), dirigido por André Castilho e André Chitas. Lançado pelo selo La Madre Docs e produzido pela La Casa de La Madre em parceria com o portal Hypeness, o filme foi recentemente citado na matéria “Não à educação formal”, de Fernanda Montano, para a revista Crescer. Confira abaixo o texto na íntegra:Screen Shot 2018-04-23 at 4.57.33 PM

Nem na estrada, nem em casa. O movimento de desescolarização prega um Ensino sem agenda ou conteúdo pré-determinado. Veja os prós e os contras dessa filosofia.

E se esse período fora da escola, aprendendo com a vida na prática, sem seguir qualquer rotina de estudo, fosse para sempre? Isso já acontece em diversas famílias, adeptas do movimento unschooling ou desescolarização. A prática vem crescendo em todo o planeta. E ainda que a Constituição Brasileira obrigue os pais de crianças de 4 a 17 anos a matricular seus filhos na escola, tem despertado a curiosidade de muita gente por aqui também – como a plataforma Hypeness, que criou recentemente um canal exclusivo sobre o assunto. “O mundo está passando por mudanças, mas uma coisa tão importante como o modelo de educação ainda usa os mesmos métodos. E o pior, esperando que os resultados sejam diferentes”, afirma Rafael Rosa, diretor do Hypeness.Screen Shot 2018-04-23 at 4.58.42 PM

Documentários sobre o assunto também começam a pipocar por aqui, como o Contra a Maré, dos diretores André Castilho e André Chitas. “Mudando o modelo da escola, você muda a sociedade como um todo. Estudei em escola tradicional e isso me causou revolta, quando me tornei cineasta jurei que ia fazer algo”, diz Castilho. O filme mostra a história da fotógrafa e educadora Déborah, 43 anos, mãe de Cauê, 10, fora da escola desde os 7. No começo, ela tinha medo de não dar conta do recado, mas isso mudou. “Sosseguei com o decorrer dos meses. Percebi o quanto é rica a nossa vivência, já que uma simples ida ao mercado envolve muito conteúdo, diz Déborah, que vive com o filho em Ubatuba (SP). Mas e o convívio com outras crianças, como fica? A socialização é uma das principais críticas em relação à desescolarização. No entanto, segundo as famílias adeptas do movimento, as relações que os filhos têm são até mais ricas e diversas. “Na escola, há divisão etária e a classe social é basicamente a mesma. Bento tem amigos, vizinhos, e conversa com todo tipo de pessoa em qualquer lugar que a gente vá”, diz o músico e ator Willian Germano, pai de Bento, 5, que nunca foi à escola.Screen Shot 2018-04-23 at 4.55.33 PM

Por outro lado, muito se fala se o conceito libertador do unschooling não seria, na verdade, limitador. “Será que temos o direito de colocar nas costas dos nossos filhos o peso de um projeto que é nosso? Pode ser que ele não se adapte e aí terá menos oportunidades”, questiona a professora Tania Zagury, autora de diversos livros de educação, entre eles o recente Pensando Educação com os Pés no Chão (Editora Rocco). Mas há quem defenda que o unschooling consiste justamente em deixar que a própria criança decida seu caminho. “É uma via de abertura, não de fechamento. A criança vai ter mais tempo para investir a energia no que realmente a interessa”, diz a filósofa Carla Ferro, de São Paulo.

Isso nos leva a outra questão: será que em vez de criticar o sistema escolar não é melhor lutar para que ele mude? Ou, ao menos, buscar práticas educacionais mais efetivas? “Sim, o ensino convencional tem falhas. Mas, quando me perguntam, em relação à educação, se há luz no fim do túnel, respondo que vejo inúmeros holofotes no caminho”, diz o educador Gabriel Salomão, autor do site Lar Montessori. “É preciso começar a caminhar por ele para enxergá-los. Há cada vez mais escolas fazendo diferente e é isso que devemos buscar”, complementa.

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